13 de abril de 2021
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Ao entrar nos arquivos do jornal A Gazeta Esportiva, Paulo Nobre abriu um sorriso similar ao da imagem que olhava. O presidente do Palmeiras visitou a Fundação Cásper Líbero, onde está localizada a redaç&at...

Ao entrar nos arquivos do jornal A Gazeta Esportiva, Paulo Nobre abriu um sorriso similar ao da imagem que olhava. O presidente do Palmeiras visitou a Fundação Cásper Líbero, onde está localizada a redação da Gazeta Esportiva.net, sequência do periódico na internet, e encontrou uma matéria de 1981 na qual, aos 13 anos, falava do seu sonho de ser artilheiro. Automaticamente, lembrou toda a trajetória que o levou, 22 anos depois, a ocupar o cargo mais importante do clube.

“Lembro desse dia como se fosse ontem”, disse o dirigente enquanto admirava a página que continha fotos suas, do seu pai, Fernando Nobre Filho, do então diretor do jornal, Olímpio da Silva e Sá, e do repórter que o entrevistou, Wanderley Nogueira, hoje trabalhando como comentarista do dominical Mesa Redonda, da TV Gazeta, e na rádio Jovem Pan.

A reportagem está na página 19 da edição de A Gazeta Esportiva de 24 de agosto de 1981, uma segunda-feira. No mesmo periódico que destacava na capa o gol de Enéas, atacante que converteu pênalti para fazer seu primeiro gol pelo Verdão e abrir a vitória por 3 a 2 sobre o Taubaté no Palestra Itália, o jovem Nobre aparecia na matéria com o título “Quero sair da geral para marcar os gols do Palmeiras”.

“Eu era um garoto das arquibancadas do Palestra Itália com o sonho de jogar futebol. Eu tinha o sonho de ser o Evair, aquele grande matador, o cara que faz os gols do título e corre para a torcida”, relembrou Nobre, que tem o camisa 9 do Verdão campeão paulista de 1993 como o maior ídolo da sua vida.

Montagem sobre fotos Gazeta Press

Paulo Nobre se alegrou por rever a sua entrevista ao jornal A Gazeta Esportiva quando tinha 13 anos, em 1981

O hoje presidente agradece por não ter seu sonho como realidade. “Um pouco depois da entrevista, já com 14, 15 anos, percebi que não tinha categoria suficiente para ser jogador e resolvi nem tentar. Vai que consigo… O Palmeiras não merecia ter um jogador como eu”, gargalhou.

Chamado de Paulinho naquela época, o então garoto de 13 anos foi o escolhido daquele dia para ilustrar a seção de reportagens na qual Wanderley Nogueira fazia o perfil de um torcedor. Nobre conta que ficou sem graça quando soube que quem o entrevista era o mesmo jornalista que ele ouvia no rádio. Atualmente, diz ter aquela página enquadrada na sua casa.

A matéria tinha como chamada “Paulo de Almeida Nobre e o sonho de um menino”, definindo o garoto como “um torcedor como antigamente”. Em uma das fotos publicadas, ele acompanha seu pai, Fernando Nobre Filho, assinando sua inscrição para a “III Minimaratona do dia 6 de setembro”, promovida pelo jornal.

Em todas as imagens, ele aparece com uniforme do Palmeiras e a inscrição “Inferno Verde” em torno do símbolo. Era a torcida organizada que ele fazia parte, tendo a carteirinha de nº 62. E um dos momentos em que Nobre mais se surpreendeu ao reler a matéria foi sua declaração em 1981, aos 13 anos, sobre o tratamento que deveria ser dado às uniformizadas.

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“Tomara que um dia as torcidas não precisem mais receber ingressos dos clubes como auxílio. As torcidas deveriam ser totalmente independentes. Seria melhor para todos.” As palavras são muito similares às que o próprio Nobre usou em 7 de março deste ano, já como presidente, ao avisar que não cederia mais ingressos às organizadas após membros da Mancha Alviverde terem atirado xícaras contra o elenco em aeroporto de Buenos Aires, horas antes. “Admito que é perigoso ser torcedor em alguns momentos. As pessoas ficam tensas, irritadas e partem para brigas. Eu também fico nervoso e faço coisas que não devia…”, também disse o sincero Nobre em 1981.

É a paixão que Nobre, hoje com 45 anos, ainda não consegue explicar. Seu pai não era palmeirense. Era amigo de Paulo Machado de Carvalho, ex-presidente do São Paulo, chefe da delegação da Seleção Brasileira nas conquistas das Copas do Mundo de 1958 e 1962 e que batiza o Pacaembu com seu nome, e tinha alguma ligação com o futebol por estacionar seu carro na beira da lateral do campo do Paulistano, vendo atuações de jogadores como Friedenreich. Segundo Paulo, Fernando Nobre gostava tanto do que vivia que não aceitava a profissionalização dos clubes.

Ao jornal A Gazeta Esportiva, em 1981, Paulo Nobre acreditava que escolheu o Verdão porque sempre se interessou muito pela história da colônia italiana. Hoje, responsabiliza Emerson Leão, goleiro que mais atuou pelo clube e que se destacou no time durante a infância de Nobre. O então Paulinho gostava da personalidade do camisa 1 e gritava seu nome quando fazia defesa jogando com os amigos. Segundo o presidente, Leão soube do fato e entrou em contato para dizer que se emocionou por isso.

Nobre contou tudo isso minutos depois de rever sua entrevista aos 13 anos de idade. Voluntariamente, relembrou toda a sua trajetória. Disse que não sofria gozações na escola mesmo com o jejum de títulos porque vestia a camisa do time mesmo após derrotas, o que fazia alguns colegas pensarem que ele era louco, enquanto outros trocaram de equipe graças a ele, passando a torcer pelo Palmeiras também.

A entrada no clube foi um convite de Marco Polo Del Nero. Nobre estudou com um parente do hoje presidente da Federação Paulista de Futebol e o próprio Del Nero o tornou sócio do Verdão. Residente em Cotia com seus pais, Nobre não frequentava muito a parte social e se esforçou na busca por votos de outros sócios com perfil similar para, em 1997, ser eleito conselheiro. Dez anos depois, virou vice-presidente.

“Amigos meus de infância dizem que sempre imaginaram que eu seria presidente do Palmeiras, mas eles não sabem como foi complicada essa trajetória. Na verdade, eu mesmo nunca imaginei que chegaria até aqui”, afirmou Nobre, eleito em janeiro deste ano depois de perder para Arnaldo Tirone nas eleições de 2011.

Aos 13 anos, porém, Nobre já tinha alguns planos se tivesse o poder que detém atualmente. “Se eu assumisse hoje a presidência do Palmeiras, compraria o passe do jogador Paulo Isidoro e tentaria comprar por um bom preço o passe do Batista. Creio que, com estes dois jogadores, o Palmeiras seria quase que invencível”, opinou Paulinho ao jornal A Gazeta Esportiva em 1981.

Sonhos de um menino que não perdeu a paixão como presidente. Na visita à redação da Gazeta Esportiva.net, viu o pôster do time campeão da Libertadores de 1999 e, após destacar a juventude de Alex e a magreza de Zinho, encontrou Evair. “Esse é o maior de todos. Não é nem Pelé nem Maradona, é Evair.”

Recepcionado na sala do superintendente do portal, Júlio Deodoro, Nobre manteve uma descontraída conversa na qual disse que “Pelé só não jogou no Palmeiras porque seria reserva de Ademir da Guia, e com justiça”. Ainda abriu um largo sorriso ao ver o protótipo da edição de A Gazeta Esportiva com o pôster do Verdão que seria campeão mundial se não tivesse perdido do Manchester United por 1 a 0, no Japão, em 30 de novembro de 1999.

Já nos arquivos da Fundação Cásper Líbero, acompanhou edições publicadas com títulos que realmente foram conquistados, inclusive a Copa Rio de 1951, que o Palmeiras ainda pleiteia na Fifa para que seja considerado um Mundial. Além da página com sua entrevista aos 13 anos, Nobre também viu como A Gazeta Esportiva retratou as conquistas do Paulista e do Brasileiro de 1993 e da Libertadores de 1999.

Antes de ir embora, o presidente viu uma camisa usada pelo time no Paulista de 1993, “o título da minha vida”, e rapidamente a vestiu. A reação foi uma das demontrações dadas pelo dirigente de sua paixão pelo clube. Exatamente como fazia Paulo Nobre aos 13 anos, de acordo com a reportagem de Wanderley Nogueira.

“Quando fala do Palmeiras, ele chega quase a transformar-se, seus olhos brilham e sua voz fica embargada. Não sabe explicar ao certo os motivos desse amor intenso, mas sabe senti-lo como poucos. (…) Paulo de Almeida Nobre é um menino que ‘curte’ as emoções das arquibancadas, embora pudesse usufruir das numeradas. Reside numa grande casa em Cotia e não tem problemas financeiros. É um torcedor de arquibancadas um pouco diferente: está por opção, por dedicação, por amor à primeira vista.”

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Presidente admira Evair no pôster da Libertadores de 1999 com o mesmo entusiasmo que mostrava pelo time aos 13 anos
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